Enredos
Mocidade Alegre define enredo sobre a Nau Catarineta para o Carnaval de 2027
Atual campeã do Grupo Especial vai levar ao Anhembi uma narrativa clássica do folclore luso-brasileiro sob o comando de Caio Araújo.
A Mocidade Alegre vai transformar uma das mais tradicionais narrativas da cultura lusófona em samba-enredo no Carnaval de 2027. Atual campeã do Grupo Especial, a escola levará ao Sambódromo do Anhembi a história da Nau Catarineta, romance marítimo e cantiga narrativa que circula em variantes por Portugal, Brasil e outros territórios de expressão portuguesa, sempre ligada à tradição oral e às memórias dos grandes mares. A Universidade NOVA de Lisboa reúne versões recolhidas no Brasil no século XIX, enquanto estudos e acervos de cultura popular brasileira mostram como a história atravessou gerações em diferentes performances e registros.
No enredo Sete anos de mar, sete léguas de encanto: A Nau que venceu o Diabo sob a benção do Sagrado Manto, a escola aposta em um universo simbólico rico: a travessia em alto-mar, a fome, o medo, o desespero da tripulação e o momento em que a narrativa se dobra para o fantástico. Em versões populares da cantiga, os marinheiros chegam a cogitar o sacrifício de um companheiro para sobreviver, até que um desfecho inesperado altera o destino da viagem. É justamente esse tipo de imagem forte, ambígua e profundamente popular que costuma render bons desfiles quando o carnaval mergulha em temas de memória e mito.
O desenvolvimento do tema ficará com o carnavalesco Caio Araújo, que segue na agremiação pelo terceiro ano consecutivo. A Mocidade chega a 2027 sob o comando de Solange Cruz e com a meta de ampliar ainda mais sua história no carnaval paulistano, depois de conquistar o título mais recente e sustentar o peso de uma das torcidas mais exigentes do Anhembi. A própria escola já anunciou oficialmente a Festa da Vitória e o lançamento do enredo de 2027 em seu calendário institucional, reforçando que o tema será um dos centros da próxima temporada da Morada do Samba.
Ao escolher a Nau Catarineta, a Mocidade não parte apenas de uma história de mar. Parte de um texto vivo, moldado por oralidade, migração cultural e reinterpretações ao longo dos séculos. É esse tipo de matéria-prima que dá densidade ao enredo: não apenas contar uma aventura marítima, mas traduzir em fantasia o caminho de uma narrativa que navegou de geração em geração até desembarcar no carnaval.