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Império de Casa Verde define enredo, apresenta “novas” rainhas e se mostra feliz

31/05/2026 15:41 · Redação Carnaval Paulista

Noite de festa na quadra da Império de Casa Verde. A escola reuniu sambistas dos quatro cantos para anunciar seu enredo, suas rainhas e também para comemorar seu aniversário de fundação.

Império de Casa Verde define enredo, apresenta “novas” rainhas e se mostra feliz

Prefeito de Jaguaríuna e o Presidente da Império de Casa Verde - Foto: Leo Franco / CP

O Enredo

 O Império de Casa Verde levará para avenida o enredo "Sob o Céu do Interior Brilha o Sonho Caipira: Jaguariúna, a Capital Country do Brasil" .

 

O enredo tem assinatura do carnavalesco Fabio Ricardo que em conversa com este jornalista que escreve contou um pouco sobre o que pretende levar pra avenida “O enredo será desenvolvido no olhar de um sonho de um caipira da cidade, fiquei encantado com o povo simples, humilde que vive no campo”, contou Fábio. “A gente mostra uma Jaguariúna que poucos conhecem. O povo conhece muito a parte turística, a gente vai mostrar o sentimento do povo de Jaguariúna que vai estar presente”, completou.

 

Por sinal, o simpático carnavalesco, está de casa nova, já que no carnaval 2026 esteve na Rosas de Ouro e ele exaltou o momento da Império de Casa Verde neste processo para o próximo carnaval. “Eu tenho segurança! Tenho da escola organização em saber todo o trabalho que está sendo feito e projetado. Tem diretoria, a presidência, e eles estão sempre presentes (em todo o processo).”

 

Fabio inclusive contou uma curiosidade: “Toda semana tem uma reunião, mesmo que seja pra falar bom dia, boa noite… pra saber como está o processo de todo o carnaval e isso é muito bom!”

 

As rainhas…

 

A escola de samba Império de Casa Verde anunciou Renata Spalicci como sua nova rainha de bateria. Ela que já teve passagens por Barroca Zona Sul e neste ano de 2026 na Águia de Ouro, irá estrear em 2027 pelo tigre da Casa Verde.

Inclusive, Renata brincou com o título de Faculdade do Samba da Barroca Zona Sul e afirmou que a verde e rosa tinha sido sim uma grande faculdade pra ela.

Theba Pitylla que era rainha de bateria da agremiação, sai da frente da bateria e assume como rainha da escola como um todo.

A bela recebeu coroa e faixa das mãos de Simone Sampaio, ícone do samba paulistano.

Renata Spalicci - Rainha de Bateria da Império de Casa Verde 
Foto: Leo Franco / CP

Theba Pythila - Rainha da escola Império de Casa Verde 

Foto: Leo Franco / CP

Leia a sinopse do enredo 2027

Sob o céu do interior, brilha o sonho caipira: Jaguariúna, a capital country do Brasil

Dizem que as águas do Jaguari não correm — elas contam.

Contam das alegrias, dos estorvos da vida e dos sonhos que o tempo só cultivou.

Eu fui um desses nascido ali, na beirada do rio, ouvindo o canto das correntezas como quem escuita conselho de mãe.

Aprendi que o rio tem idioma próprio.

Ele fala, ele vê, ele guarda e guia.

Quando a vida me deixava moquiado, bastava sentar-se no barranco e deixar que o som da água me endireitasse o rumo.

O Jaguari sempre foi meu companheiro de prosa muda — uma oração líquida correndo entre as pedras.

E, às vezes, no lusco-fusco, surgia ela:

a onça preta encantada, bonita de arrepiar. Ninguém sabe se é bicho ou encantamento.

Só sei que quando ela passa, o silêncio respeita, o coração esquenta e até o vento se aquieta.

Dizem que cruzar seu olhar é ganhar coragem de fiótão — e eu acredito. A força dela e das águas sempre empurraram meu destino pra frente.

O rio me criou.

Levou embora meus medos de piazito e trouxe de volta sonho grande.

Como disse Manoel de Barros:

“Eu queria aprender o idioma das águas.”

E aprendi.

Aprendi que sorte se faz de correnteza e que quem nasce nas margens do Jaguari carrega no peito um pedaço de rio.

Quem anuncia o novo dia é o galo — valente, apressado, o primeiro a acordá o mundo. Ele canta grosso, rasgando o silêncio da madrugada, como quem diz: “Vamo simbora que a vida num espera!”

E o sol vem… escorrendo devagarinho por trás dos morros, dourando a terra, espantando o sereno.

Os pássaros respondem num coro bonito: sabiá, canário-da-terra, coleirinha, trinca-ferro…

Parece até que o céu se abre só para escutar.

O cheiro da lenha queimando invade a cozinha, e o pão assado na hora faz a casa inteira sorrir.

A vida é simples: café coado no coador de pano, viola ponteando no terreiro, tropeiro seguindo para lida, poeira subindo atrás dos cavalos. E a lida preenche o coração do caipira, o milagre de ver a colheita florescer.

Quando o dia finda, o povo se ajeita pro fervo da roça.

Tem forfé, tem furundunço, tem bico-livre.

Os casais dão aquela sarrada de banda no salão — uns parcouseados, outros só namorandinho.

A viola orna com o rio, e o rio orna com a lua.

E ao fundo, emoldurando meu lugar, a estação de trem é ponto de chegadas e partidas.

Cada apito parece um suspiro do destino — uns vão, outros voltam, outros só deixam saudade.

E os pássaros fazem festa nos fios, como se cantassem despedidas e reencontros.

Como cantou Tião Carreiro e Pardinho:

“Nóis é criado na roça,

Com o pé no chão batido,

E o coração amarrado

No lugar onde foi nascido.”

E é isso mesmo: o caipira nasce amarrado à terra — e feliz por isso.

Toda devoção nasce da terra e sobe para o céu que nem névoa nas manhãs frias.

As festas juninas celebram São João, Santo Antônio e São Pedro — fogueira alta, bandeirola tremulando, quentão esquentando alma.

A marujada corta as estradas, levando cantoria e esperança. E a Cavalaria Antoniana em Jaguariúna é uma das maiores manifestações de fé e tradição sertaneja e reforça nossa devoção.

O povo se arruma bonito, os chapéus batem sol e as rédeas brilham feito promessa antiga.

O povo pede aos anjos que levem seus pedidos até Santa Maria, padroeira da cidade.

E lá na praça central, a Catedral de Santa Maria se ergue linda, espetada contra o azul do firmamento.

Seus vitrais derramam cores sobre o chão de pedra, como se o próprio rio tivesse mergulhado dentro da igreja.

Os sinos tocam, o vento sopra, e eu juro que as águas respondem lá longe, fazendo seu rezo de correnteza.

Renato Teixeira já dizia:

“Sou caipira, pirapora, sou de Deus e de ninguém.”

E eu sinto isso no peito: a fé do caipira num é conversa fiada — é raiz, é chão, é destino.

E nos meus sonhos mais vívidos, o rodeio, Ah, o rodeio…

Pra muito forasteiro é só festa, mas pra quem nasceu aqui em Jaguariúna é coisa de fé, de raiz e de teimosia boa.

Desde piazito, eu ficava na cerca da arena, o coração estourando no peito, vendo os peões tudo erguidá no lombo dos touros.

E eu pensava:

“Um dia, vai sê eu em lá também… um dia vai sê eu ali no meio da poeira e da glória.”

E esse sonho veio de longe…

Lá da terra antiga, passou por rei e cavaleiro, cruzou oceano, virou festa, inspirou coragem no México, Estados Unidos… até chegar aqui, no nosso chão, se enraizando como alma do povo brasileiro sertanejo e interiorano.

Hoje tem locutor, tem show, tem palhaço, tem poeira levantando alto e o povo berrando até perder a voz.

Teve noite que me sentei na beira do barranco, só o luar e o som das correntezas.

Lá longe, vi o brilho dos sinos da Santa Maria.

Senti que até a onça preta me espiava de isgueio, como quem benze o destino de um fiótão teimoso.

O touro saltou, eu agarrei firme e deixei a alma montar comigo. Nesse instante, não era só eu — era o povo, era o rio, era o encanto das águas e o manto de Santa Maria me cobrindo feito correnteza azul.

Milionário e José Rico já cantaram:

“Nesta longa estrada da vida

Vou correndo e não posso parar…”

E é isso: ser campeão num é vaidade — é destino.

É carregar a alma do povo, a coragem das águas e a luz de Santa Maria correndo nas veias.

Hoje, quando volto para a beira do rio, fico de boa, meio lagarteando, lembrando de tudo.

E no escuro da noite, de vez em quando, vejo ela… a onça preta, passando de farfanho entre as sombras.

Aí eu só sorrio e digo baixinho:

— Tá tudo certo, cumpadi… nóis venceu!

Carnavalesco Fábio Ricardo Pesquisa, texto e desenvolvimento – Roberto Vilaronga Justificativa do Enredo

Nosso enredo se constrói como uma celebração da identidade caipira e da relação profunda entre o homem, a natureza e a fé no interior brasileiro. A narrativa utiliza elementos simbólicos — o rio, a onça preta, a fé, o rodeio, a viola, o amanhecer na roça — para representar a formação emocional, espiritual e cultural do nosso fio condutor, o homem caipira.

A justificativa central do enredo nos mostra que o sonho caipira nasce da fusão entre tradição, simplicidade e transcendência, revelando que a força do personagem não vem apenas de sua coragem individual, mas daquilo que o cerca:

• o rio e a onça negra, que funcionam como guia, memória e oração;

• a fauna e a lida no campo, que anunciam renovação e pertencimento;

• a fé popular, que molda o sentido de destino;

• a cultura do rodeio, que simboliza desafio, superação e identidade coletiva.

O enredo justifica-se como um retrato lírico da vida interiorana, onde cada elemento (místico, natural, religioso ou festivo ) contribui para a construção do sonho do homem caipira. A presença da onça preta, do canto dos pássaros, do galo madrugador e do cheiro da lenha queimando o pão fresco reforça a atmosfera sensorial que ancora ao campo, evidenciando que o sonho caipira não é fantasia, mas fruto de raízes profundas, de uma terra que ensina, festeja, consola e impulsiona.

Assim, nosso enredo existe para exaltar a força poética da vida simples do interior, mostrar que o milagre pode nascer do chão e afirmar que, em Jaguariúna, cada pessoa carrega um pedaço do rio, da onça, da fé e da coragem que movem o caipira rumo ao seu destino ao subir na arena do Rodeio e ser campeão.